Ceia do Senhor: “Não há verdadeira Eucaristia, se não tem a dimensão do amor”

4 abr 2015

“Este dia será para vós uma festa memorável em honra do Senhor, que haveis de celebrar por todas as gerações, como instituição perpétua.” (Ex 12, 14) 

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A memória da paixão e morte de Jesus é um memorial que se atualiza todas as vezes que a Santa Missa é celebrada, neste memorial de amor, Cristo dá-se em comida e bebida, meio pelo qual selou para sempre seu amor pelo mundo.

A Quinta-feira Santa é anoite em que Jesus reunido com seus discípulos, ensinando-lhes gesto de humildade e mansidão, despede-se dos seus deixando o próprio Corpo e Sangue como sustento na caminhada.

A dor e o sofrimento se alastram na pessoa de Jesus, ao ser traído, perseguido e preso. Antes essa dor é imensurável e sem limites, Jesus na sua agonia no Horto das Oliveiras suspira o prenúncio de sua Paixão. Os discípulos, coitados, muitos dormiram e não vigiaram com o Senhor.

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Todo esse mistério é celebrado anualmente. Na Catedral, o Bispo estando no altar com seus vigários, Padre Agripino e Padre Silvio, com o grupo dos doze representando os discípulos, a equipe de Liturgia e o povo em geral, puderam experienciar o momento em que Cristo se dá como alimento.

Na reflexão feita, Dom José González destacou três aspectos: a Instituição da Eucaristia, a Instituição do Sacerdócio e o Mandamento do Amor.

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Preferivelmente o bispo tocou com veemência a Instituição da Eucaristia, visto que pela manhã na Missa do Crisma já foi mencionado a Instituição do Sacerdócio. Dom José traz aspectos da Primeira Leitura que fala da Páscoa dos Judeus, o cordeiro que deverá ser sacrificado e comido pelas famílias, o sangue que marcará as portas das casas, a fim de que o exterminador conheça aqueles que comeram da Páscoa. Um rito que se repetia pelas gerações judaicas e Cristo, como bom Judeu, quis comer da Páscoa com seus discípulos.

O que muda na vida dos discípulos é a presença do cordeiro, não mais um animal como pedia a tradição, mas o próprio Jesus se dá como o Cordeiro. Esta atualização, isto é, a Páscoa do Senhor, nos foi transmitido por Paulo quando diz:

– O que eu recebi do Senhor foi isso que eu vos transmiti: Na noite em que foi entregue, o Senhor Jesus tomou o pão e, depois de dar graças, partiu-o e disse: “Isto é o meu corpo que é dado por vós. Fazei isto em minha memória”.

“A Eucaristia tem suas exigências e tem seus frutos”, disse Dom José e nomeando disse: “O primeiro dos frutos é o mandamento novo”.

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Sobre o gesto de lavar os pés dos discípulos, Dom José diz que Jesus deixou o exemplo para que façamos o mesmo, não materialmente, isto é, não sendo fundamentalistas, mas o que esse gesto significa: “… o mandamento novo, do amor, do serviço, do perdão, da ajuda, da colaboração, da solidariedade, da preocupação pelos pobres… é consequência da Eucaristia” disse ele.

“Não há verdadeira Eucaristia, se não tem essa dimensão do amor”, frisou.

Ele ainda se referiu ao tema da Campanha da Fraternidade deste ano ao falar do serviço que a Igreja e os cristãos devem oferecer à sociedade, colaborando para que tenhamos um mundo mais justo e fraterno.

No gesto do Lava Pés, a Catedral selecionou pessoas representando a Igreja e a Sociedade, homens, mulheres, jovens, adultos, religiosos, estudantes a fim de que se propague também no ambiente de cada um em particular.

Ao término da Santa Missa, o Santíssimo Sacramento foi transladado para o local que representa o Horto das Oliveiras, lugar de adoração e vigília com o Senhor no cume de sua agonia. Os sacerdotes permaneceram atendendo confissões e o bispo se dirigiu até as paróquias da Cidade a fim de visitar cada grupo adorador.

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