Artigo: Quaresma- misericórdia e reconciliação

12 fev 2016
” Misericórdia: é o caminho que une Deus e o homem, porque nos abre o coração à esperança de sermos amados para sempre, apesar da limitação do nosso pecado” (Misericordiae Vultus).. São estas palavras que introduzem o documento pelo qual o Papa Francisco inicia a carta Misericordiae Vultus (O Rosto da Misericódia). Tal proclamação nos convida para que este tempo de quaresma no Ano santo da Misericórdia possa ser para nós uma bela reflexão para a nossa vivencia espiritual.
 
       Quero, portanto, unir as palavras desta nossa pequena reflexão. Misericórdia está para o CAMINHO e, Reconcialição para UNIDADE. Que ponto unificadores para neste tempo rezarmos, meditar e agir nas obras de misericórdia. 
 
       A misericórdia é o caminho por que nos remete a bondade infinita de Deus que não se cansa de nos amar e de nos oferece o seu perdão. E é exatamente na caminhada que acontece os entraves da vida humana como decadência do homem velho que insiste em aparecer em nós. Não nascemos para o pecado. Nem é meta do homem chegar sempre ao pecado, mas por nossa inteira liberdade caímos e falhamos. Somos seres limitados e frágeis. Só Deus é santo. Devemos ser santos como ele é santo. E como seremos santos se não for a sua misericórdia infinita oferecida gratuitamente a cada ser humano. 
 
      O caminho é a estrada que cada um de nós percorremos e que como cristão deve assemelhar aquele percorrido por nosso Mestre Jesus Cristo – o do calvário. O cristianismo não é a religião da dor mas sim a religião que não nega a condição humana e nem exclui o corpo passível do sofrimento. É neste sentido que entra a misericórdia divina como abraço do corpo de Cristo em cada ser humano que sofre e padece neste mundo. São cristos que sobem ao calvário e precisam de sirineus para lhes ajudarem a carregar a cruz. O que oferecemos àqueles que encontramos em nosso caminho?
 
      Não chegaremos ao domingo da ressurreição sem passar pela sexta-feira da cruz. O caminho do homem é marcado por esta realidade nas suas mais diversas expressões de grito de dor. Cristo tornou a nossa fé mais credível nos introduzindo no mistério pascal de sua vida, morte e ressurreição. Assim somos também nós chamados a nos configurar a ele com a cruz, no calvário e na ressurreição.
 
     A quaresma é, portanto, o tempo do caminho, do deserto, do calvário, do retiro para ressurreição. Pois, jamais encontraremos o Cristo ressuscitado se não o encontrarmos no mistério da cruz. Entender que a nossa vida tem cruz é passar pelo processo da purificação para sorrir com o ressuscitado. De igual modo, cantamos: eis o tempo de conversão. Converte-se quem está no caminho e caminha quem deseja se converter. 
 
     O modo mais unitivo do cristão ser imitador de Jesus Cristo é unir-se com ele no mistério da paixão. Isto significa reconciliação que remete entender quem é Jesus e o que fez ele por mim. Significa então conversão na qual se deseja fazer o caminho junto com Ele. A quaresma é tempo de reconciliar-se com Deus. Mas como me reconciliarei com ele se não me uno ao seu filho em sua paixão, morte e ressurreição. Assim em meio a tantas sugestões dadas pela Igreja apresento algumas aqui para que a unidade com Cristo seja mais autentica e de testemunho. Unir a Cristo pela palavra para que ele como palavra eterna nos direcione para o que é eterno. Unir-se a Cristo pela caridade para que ele, concreta caridade, nos faça ver o mundo com o olhar de um Deus caridoso e misericordioso. Por fim, unir-se a Cristo na oração para que ele homem feito oração nos faça deificados em nossa mistica cotidiana. 
 
Por Pe. Dalmir Cornélio da Silva
Vice reitor do Seminário Nossa Senhora da Assunção
Vigário paroquial da Sagrada Família 

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